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  Coleta, triagem e enfardamento
 

COMO É FEITA HOJE

Embora as embalagens de PET efetivamente recicladas tenham origem em sistemas de coleta alternativos, como a realizada por catadores e suas cooperativas, ou através de empresas dedicadas a essa tarefa, parcela importante das embalagens acabam sendo enviadas aos lixões, sistema mais comum no Brasil para disposição dos Resíuos Sólidos Urbanos. Isso ocorre por dois motivos principais:

1 - Falta de coleta do lixo; nem todo município brasileiro tem coleta de lixo em 100% dos domicílios, especialmente nos bairros mais pobres e nas favelas;

2 - Hábito da população brasileira de se desfazer da embalagem jogando-a no lixo comum ou, quando este não é coletado, nos rios e nas ruas.

A coleta nos lixões ocasiona sérios problemas. Por um lado, vemos brasileiros, adultos e crianças na atividade insalubre e sub-humana de revirar o lixo, sujeitando-se a todo tipo de contágio e infecção, para deles obter alguns produtos passíveis de venda, produtos esses que poderiam ser obtidos de outra forma, como veremos abaixo.

De outro lado, o produto coletado nos lixões está fortemente contaminado por gorduras, tintas, metais pesados e sujeira de modo geral; a embalagem assim contaminada exigirá um processo de limpeza mais caro, o que a desvaloriza. Outro ponto relevante é que o catador da embalagem recebe um valor irrisório por sua coleta, seja porque o produto está contaminado, seja pela ação do intermediário, que revende o produto para a indústria recicladora.

A COLETA SELETIVA

Alguns municípios têm em vigor a coleta seletiva do lixo urbano. Isto significa que o cidadão é orientado a separar seu lixo, acondicionando separadamente o lixo orgânico dos recicláveis - o papel, o vidro, a lata, os plásticos e o PET. Esse material já separado pode então ser vendido, obtendo recursos que financiam todo o processo. É importante salientar que devem ser considerados os custos e receitas diretas, assim como as despesas indiretas que deixam de existir. Por exemplo: a coleta seletiva do vidro ocasiona a diminuição de serviços públicos de saúde prestados a munícipes que se acidentam com o transporte da embalagem.

A COLETA DIRIGIDA

A alternativa para a coleta em municípios que não disponham da COLETA SELETIVA é a denominada COLETA DIRIGIDA, que nada mais é do que a conscientização da população local para a separação do material reciclável, entregando-a a pontos de coleta ou aguardando a data fixada para a coleta domiciliar.

Essa modalidade de coleta ocorre das seguintes formas:

- Através de Cooperativas de Catadores. É freqüente encontrarmos municípios em que existem Cooperativas de Catadores dos mais diversos produtos. Quando elas atuam, a população sabe que de uma forma ou de outra sua embalagem será recolhida, em muito favorecendo o processo de coleta e de reciclagem. Outra vantagem da ação cooperativa está em sua própria natureza, estimulante da solidariedade e eliminadora da concorrência predatória entre os catadores; ademais, o catador não tem com a cooperativa uma relação trabalhista, sujeita à legislação pertinente.

- Por micro empresas que se encarregam de arregimentar um número de empregados encarregados de coletar de diferentes formas o material desejado. O grande problema desta modalidade está na complexa e onerosa relação trabalhista advinda.

- Pela atuação de entidades de assistência social. A entidade respeitada pela comunidade por sua ação social exemplar tende a contar com carinho e simpatia da população, que procura ajudar sue trabalho meritório entregando o material desejado. O material coletado é vendido e o resultado aplicado nas ações sociais. As grandes vantagens desta forma de atuação estão no forte apelo emocional, na inexistência de pagamento pela coleta e no fato de o trabalho ser realizado por voluntários, minimizando os problemas trabalhistas. A dificuldade ocorre pela inexperiência da gerência de tais entidades com o trato da logística operacional da coleta, prensagem e venda do material; esta deficiência pode ser compensada pelo trabalho voluntário técnico ou pelo aparecimento de empresas gestoras da atividade.

Pela cooperação entre duas das formas acima, por exemplo, quando uma micro empresa efetua convênio com uma entidade assistencial, resolvendo suas recíprocas deficiências.

TRIAGEM

As embalagens pós-consumo, coletadas nas formas já examinadas, serão objeto de triagem, com o propósito de:

a) separá-las por cor
b) evitar sua contaminação com qualquer outro tipo de plástico, metais e outros materiais.

PRENSAGEM

Selecionadas as embalagens pós-consumo, deverão ser prensadas e amarradas, para diminuir seu volume e facilitar o transporte.

Há muitos modelos de prensa que poderão ser utilizadas para a prensagem do PET. O seu porte e sistema de acionamento dependerão da quantidade, da intensidade do uso e dos recursos financeiros disponíveis.

As embalagens prensadas são, então, amarradas com cintas de PET reciclado, cordas ou cordões. Não é recomendado enfardamento com arames ou fitas metálicas devido a questões de segurança.

FARDO IDEAL

O preço a ser obtido pela venda das embalagens será mais elevado quando:

- o fardo contiver somente PET
- as garrafas forem de uma única cor
- a embalagem estiver limpa (oriunda de coleta seletiva)
- o fardo tiver a maior densidade possível (fardos densos contém uma maior quantidade de garrafas no mesmo espaço volumétrico)
- o fardo for fechado com ráfia e amarrado com fitas de arquear plásticas (o PET reciclado também é utilizado na produção deste tipo de produto)

Quando os fardos não atendem as especificações acima, os compradores do material devem torná-lo adequado, o que significa maior custo de processamento. É por isso que os valores pagos podem variar.
 
 
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